Nosso querido Olavo Bilac definiu o espírito do Parnasianismo em uma poesia sincera: “Quero que a estrofe cristalina,/ Dobrada ao jeito/ Do ourives” Esse, grosso modo, é o resumo bem resumido do espírito da época. Mas, vamos conversar um pouco mais sobre o que foi o Parnasianismo. Não se preocupe, nós explicamos.

Antes de irmos ao misancene, é preciso pensar no que significa essa palavra. Parnasianismo. Donde vem? Do que se alimenta? Hoje, aqui na Poeme-se.

O monte Parnaso, que dá o nome ao movimento, está situado na região sul da Grécia. Aos seus pés está a famosa cidade Delfos, a cidade do grande oráculo da antiguidade. A região é bem fértil, tendo muitas parreiras, oliveiras e pastagens para ovinos. Mas, a grande questão para os literatos, é que lá no monte era a morada do deus Apolo e as 9 musas.

Apolo é o deus do sol, dos oráculos, da música, poesia e outras atribuições. Já, as musas, filhas de Zeus e Mnemósine,  cantavam o presente – passado – futuro ao som da lira apolínea.

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Seguindo essa inspiração, o Parnasianismo inicia seu movimento na França com o poeta e crítico literário Théophile Gautier, que publicou a sua obra Le parnasse contemporain (O Parnaso Contemporâneo), em oposição ao sentimentalismo romântico.

Essa escola literária, como todas as outras, tem as suas regrinhas próprias. Lembrando sempre: os parnasianos tinham horror ao sentimentalismo romântico. Isso explica muito. Por exemplo, na questão da arte. No romantismo, a estética na pintura é mais exagerada, no sentido de intimidade, espiritualidade e tudo o que foge da razão pura. Já, o Parnasianismo, era um movimento mais cerebral e objetivo. Nele, procurava-se pintar o que realmente estava na “realidade”. Esse conceito era chamado de Arte pela Arte.

Na literatura, os poetas do movimento tinham um gosto peculiar pelo soneto. Lembrando que o soneto é aquela poesia que tem quatro estrofes, as duas primeiras com quatro versos e as duas últimas com três versos. Ah, ainda tem a questão das silabas poéticas. Ou eles faziam Versos Alexandrinos com doze sílabas poéticas, ou faziam versos decassílabos com dez sílabas poéticas. Tenho que dizer que isso é meio difícil de produzir.

Sabe aquele verso do Bilac lá na introdução? Ser o ourives é justamente trabalhar minuciosamente na poesia. Isso vale não só para a questão da forma em si, as palavras devem ser rebuscadas como joias. As rimas eram regulares e ricas (rimas entre classes gramaticais diferentes) e os versos eram mais descritivos, longe dos sentimentos.

Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.


Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.


Mas, talvez por contraste à desventura,
Quem o sabe?… de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura.


Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.

Parnasianismo no Brasil

Em terras nacionais temos algumas peculiaridades e diferenças do movimento francês. Nossos autores exploravam o nacionalismo (ainda que com certa moderação) e não seguiam à risca as regras dos autores europeus, pois, além da exaltação nacional, a subjetividade também foi traço marcante dos autores brasileiros. Dominavam aqui o verso alexandrino, com rimas ricas e formas fixas, principalmente os sonetos.

Os grandes nomes de destaque do parnasianismo brasileiro foram Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. O trio ficou conhecido como a Tríade Parnasiana:

O que foi o parnasianismo coleção Tríade Parnasiana

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Bilac era conhecido como o “príncipe dos poetas”, foi autor do Hino à Bandeira e poeta cívico. Já Correia era conhecido por sua visão mais negativa do mundo e seus versos de caráter filosófico. Oliveira por sua vez tinha bastante preocupação formal, sintaxe rebuscada e gosto pelo preciosismo. Juntos, a perfeita harmonia para o movimento parnasiano.

A Tríade Parnasiana assim, reuniu os expoentes da literatura parnasiana nacional em um movimento que teve fôlego até 1922, quando houve a Semana de Arte Moderna de São Paulo.

Você gosta de algum poeta do Parnasianismo? Conta pra mim. Ah, não se esqueça, vista poesia.

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