Junho é mês do orgulho LGBTQI+. Uma data que para além do incentivo comercial é importante de se relembrar por conta da força histórica de toda uma comunidade que veio antes de nós. É um mês para se lembrar de pioneiras como Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera (nos Estados Unidos), que estavam na linha de frente quando estourou a revolta de Stonewall, além de João Silvério Trevisan e Miriam Martinho, que com os seus respectivos jornais Lampião da Esquina e Chana com Chana, davam voz à comunidade durante o período da ditadura militar no Brasil.

O mês do orgulho foi criado para nos lembrar dessas vozes pioneiras que abriram o caminho para a conquista dos direitos civis de existência da população LGBT em grande parte do mundo. O orgulho que se traz aqui é para mostrar que não há motivo para vergonha de ser quem se é, quando tudo o que se pede é respeito enquanto cidadãos e o direito de ter acesso a direitos civis básicos emancipatórios, como acesso à saúde e ao casamento com suas prerrogativas legais sem medo de sofrer perseguição por isso.

Mas vocês devem estar pensando: “o que esse tema tem a ver com um blog como a Poeme-se?” Tem muito e é um tema de extrema relevância, uma vez que tivemos e ainda temos grandes autoras e autores LGBTQI+. Neste artigo citaremos cinco deles que você certamente ou já conhece ou deveria (de preferência correndo) conhecer e ler.

1. Alice Walker

Ativista feminista, poeta e romancista, conhecida por A cor púrpura, é uma das grandes autoras norte-americanas contemporâneas. Também fez parte dos artistas que lutaram durante os anos 1960 pelos direitos civis negros nos Estados Unidos, participando da Marcha sobre Washington (1963) foi perseguida por formar uma das primeiras famílias inter-raciais do país. Além disso, sua vasta produção também inclui livros de contos e de não ficção.

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2. Virginia Woolf

Ensaísta, editora, crítica literária e romancista, a autora de Ao Farol, Mrs. Dalloway, Orlando, As Ondas, dentre outros títulos amplamente conhecidos, foi uma das referências da narrativa em fluxo de consciência do Modernismo. Fez parte do Grupo Bloomsbury, importante grupo de intelectuais britânicos da primeira metade do século XX que influenciou a literatura, a crítica, a economia e outras esferas da sociedade. Seu livro de ensaios mais conhecido, Um teto todo seu, se tornou referência nos estudos feministas a partir da década de 1970 por apontar a condição de desprestígio das mulheres (principalmente aquelas que tinham a ambição de viver do seu trabalho intelectual) na realidade da sociedade inglesa do início do século XX, mas que também dialogava com a realidade de muitas mulheres em outras partes do mundo. Um de seus pontos mais célebres é o trecho “Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu se ela quiser escrever ficção”.

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3. Oscar Wilde

Poeta e dramaturgo, mais conhecido por seu romance O retrato de Dorian Gray, é um dos maiores nomes da literatura de língua inglesa. Durante sua formação acadêmica, Wilde se aprofundou nos Estudos Clássicos, tornando-se um grande latinista e helenista e fundando o que viria a ser mais tarde entendido como um novo movimento literário: o Esteticismo (ou Dandismo). O dândi, como ele mesmo se classificava, era aquele que vivia e trazia o belo como antídoto para a destruição promovida pela sociedade industrial. Em sua obra, Wilde questionava muito a sociedade vitoriana, que tentava impor padrões estéticos e de comportamento mais duros à sociedade.

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4. João do Rio

Jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo. Foi o maior cronista do cotidiano da cidade do Rio de Janeiro em fins do século XIX, no início do século XX, durante a chamada Belle Époque Brasileira. Assim como Wilde, era um dândi das ruas e por se identificar tanto com o autor irlandês, traduziu várias de suas obras para o português. Um de seus livros mais famosos, As religiões do Rio¸ hoje é tido como importante material de analise sociológica e antropológica da cidade, que ainda dialoga e muito com a realidade carioca do século XXI. A alma encantadora das ruas, por sua vez, nos encanta e faz refletir sobre a beleza e a miséria do centro da cidade, que (in)felizmente ainda é tão próxima de nós. Se você é carioca e ainda não leu, corra e providencie essa leitura.

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5. Arthur Rimbaud

Poeta, Rimbaud foi um dos nomes que influenciou a literatura, a música e a arte modernas um pouco antes do surgimento do surrealismo. Sua obra-prima, Uma temporada no inferno, é referência do simbolismo francês. Mesmo tendo uma vida tão breve (37 anos), Rimbaud viajou por três continentes e sua obra e alma inquietas influenciaram inúmeros artistas do século XX, dentre eles Patti Smith, Bob Dylan, Pier Paolo Pasolini, Jim Morrison e Jack Kerouac, da geração Beat.

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Estes são apenas alguns de uma infinidade de mentes brilhantes advindas da comunidade LGBTQI+, que produziram e ainda produzem muito tanto na Literatura quanto no campo das Ciências Sociais. Em outra oportunidade, podemos nos alongar e discutir o assunto mais a fundo.

Até a próxima e bom mês do orgulho (de luta) para todes da comunidade. Aos que não são da comunidade LGBTQI+, respeitem e apoiem seus amigos, parentes ou qualquer outra pessoa que faça parte, seja um aliado. Essas pessoas não pedem nada além do direito de existirem em paz e terem suas vidas valorizadas.

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